O “calo” da segurança pública no Rio Grande do Norte.


Alguns delegados tomam conta de 12 e até 20 delegacias. Diante da situação desgastante, eles desabafam: “o interior está entregue às baratas”.

Por Thyago Macedo

Fábio Rogério critica diferença de tratamento da Secretaria de Segurança.

A segurança pública no Rio Grande do Norte vem sendo questionada pela população devido ao aumento da criminalidade nos últimos anos, principalmente, na região da grande Natal. Entretanto, os problemas na capital parecem pequenos diante da atual situação dos demais municípios.

Com isso, o Nominuto.com publica nesta semana uma série de reportagens sobre o interior do estado, considerado o “calo” da segurança. A falta de delegados e de estrutura, por exemplo, levou ao desgaste dos policiais que afirmam: “o interior está entregue às baratas”.

Desde a dispensa, em 27 de agosto do ano passado, de 59 policiais militares e dois agentes de Polícia Civil que atuavam como titulares em delegacias, os delegados de carreira vêm acumulando funções. Para se ter uma idéia da gravidade, alguns deles tomam conta de 12 e até 20 delegacias. Além disso, eles reclamam do tratamento diferenciado dado as unidades de Natal e se dizem desmotivado.

“Os delegados regionais não têm sido tratados com respeito e dedidacação. A gente está segurando os problemas do interior e mesmo com as dificuldades estamos executando nosso trabalho. Acontece que a prioridade da segurança é a capital e a desmotivação vem desse tratamento. Muitos colegas estão entrando de licença porque não estão agüentando”, informou Fábio Rogério, delegado regional de João Câmara, que atualmente cuida de 12 municípios.

Fábio Rogério explica que seu trabalho depende apenas de uma viatura, na qual percorre cerca de 600 km por dia acopanhado de um escrivão e dois policiais. “Está muito difícil. Nós temos que dar conta desses 12 municípios com um único carro para entregar intimação, fazer encaminhamento à Justiça, realizar audiências e atender as ocorrências. Tudo isso viajando nessas estradas perigosas em uma Parati velha, quando era pra termos uma caminhonete 4 x 4, já que algumas delegacias da capital tem quatro a cinco carros”, comenta.

O delegado afirma ainda que as delegacias do interior não dispõem nem de computadores para a realização de audiências. “A situação chegou ao absurdo. Em Taipu, por exemplo, eu realizo as audiências no Fórum, isso porque a juíza autorizou. Já que estamos nessa situação, era pra termos pelo menos um notebook para facilitar o trabalho e a locomoção. Mas, não, pelo contrário. Quando essas armas novas chegaram a Secretaria de Segurança eu solicitei algumas, mas nenhuma regional recebeu. Ou seja, o interior está entregue as baratas”.

Situação semelhante a de Fábio Rogério, vive o delegado regional de Pau dos Ferros, Inácio Rodrigues. Hoje, ele está a frente de 20 delegacias. Mesmo assim, ressalta que sua situação não é tão ruim graças a ajuda da Polícia Militar. “Sem o apoio da PM seria impossível. Aqui, por exemplo, os sargentos que antes estavam como delegados e tiveram que sair da função, agora estão me auxiliando como escrivãos. Ou seja, das delegacias regionais que trabalhei, essa de Pau dos Ferros vive atualmente uma situação melhor”, avalia.

Concurso
Pelo menos o problema da falta de efetivo poderá ser amenizado nos próximos meses. Com a realização do Concurso Público para agentes, escrivãos e delegados, as cidades do interior do Rio Grande do Norte deverão ser as mais beneficiadas. Isso é o que afirma o Diretor da Polícia Civil no Interior, delegado Osmir Monte.

“Há uma determinação de que todos os aprovados irão inicialmente para o interior. Sabemos que isso não vai resolver a situação por completo, mas, amenizará muito essa sobrecarga de serviço”, destaca. A previsão da Secretaria Estadual de Segurança Pública e Defesa Social é de que os novos policiais assumam em janeiro do próximo ano.

Eles estão em fase de testes físicos e conclusão do certame e, depois disso, os aprovados passarão para a Academia de Polícia. São três meses de treinamento até os novos policiais saírem às ruas. “Por enquanto, é ter paciência e esperar”, frisa Osmir Monte.

Contudo, para quem está no olho do furacão a paciência chegou ao limite. “Eles não sabem o sofrimento da gente no interior. Alguns colegas não estão tendo alternativa, não estão vendo melhora e acabam se afastando para tentar ir para outro local. A gente está trabalhando apegado a Deus, ele é nosso escudo”, desabafa o delegado Fábio Rogério.

Regionais
Atualmente, a Diretoria de Polícia Civil no Interior (DPCin) divide o interior do Estado em dez delegacias regionais que encabeçam os demais municípios. As regionais são: São Paulo do Potengi, Mossoró, Caicó, Pau dos Ferros, Macau, Nova Cruz, Patu, Alexandria, Santa Cruz e João Câmara.

Fonte: http://www.nominuto.com/noticias/policia/interior-o-calo-da-seguranca-publica-do-rio-grande-do-norte/37882/

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